Gospel
Ovos


Animada, alegre, bonita, jovem. Claudinha era uma garota muito popular, tinha vários amigos e sempre tinha uma festa ou balada para ir. Ainda com dezesseis anos, já entrava nas baladas, pois aparentava ser mais velha. Sua mãe, Dona Ana, sempre ficava preocupada quando a filha saía. Não conseguia dormir enquanto Claudinha não chegava. Aproveitava para ler a bíblia e orar. Mas seu coração estava sempre pensando na filha. Todos os fins de semana eram a mesma coisa. Dona Ana pedia para Claudinha não sair, mas a menina estava naquela fase de rebeldia. Desdenhava da mãe, das suas crenças, seus ensinamentos.
- Óh Deus. Proteja minha filha, abra seus olhos. – Orava Dona Ana todas as noites.
Naquela noite, Claudinha recebeu uma ligação de Isabel.
- Claudinha! Oi flor! Vamos na festa do Carlos hoje?
- Você passa aqui para me pegar? – Perguntou Claudinha.
- Claro!
Então Claudinha se arrumou. Colocou um vestido preto justo, que valorizava seu corpo. Imaginou se não seria hoje que ficaria com o Carlos. Eles já se paqueravam há tempos, mas ele nunca tomava uma atitude. Quando ficou pronta, resolveu esperar Isabel na sala.
- Vai sair de novo? Por quê não fica um pouco em casa com a gente?
– Disse sua mãe que estava assistindo TV na sala.
- Mãe nem começa. – Respondeu ela. – Vou sair com a Isabel.
- Filha, cuidado por onde anda, tem muita gente que não presta no meio desses seus amigos.
- Eu sei cuidar de mim mesma. Não preciso de conselho de ninguém.
- Você está deixando Jesus de lado, deixou de ir à igreja.
- Ah mãe. Deixa de besteira. Cansei desse negócio de igreja. Vou aproveitar e me divertir.
Nesse momento, ouviram uma buzina do lado de fora da casa.
- A Isabel chegou. Tchau. – Disse Claudinha, levantou e foi para a porta.
- Filha, vou orar para que Jesus te acompanhe e te proteja. – Disse a mãe com o coração triste.
Claudinha parou na porta e olhou para trás, dizendo:
- Ah, mas o carro está cheio! Só se ele for no porta-malas.
Dona Ana ficou assistindo sua filha partir, com um aperto no coração. Naquela noite teve um pressentimento ruim, ligou para Claudinha, mas o celular estava desligado. No início da madrugada, recebeu um telefonema. Era um bombeiro. Falou algo sobre um acidente, mas Dona Ana não conseguia entender. Anotou o endereço de um hospital e pediu para o vizinho, Seu Jonas, que o levasse lá. Estava desnorteada, não conseguia pensar direito, não acreditava que algo pudesse acontecer com Claudinha. Quando Dona Ana chegou ao hospital, perguntou sobre Claudinha, quase gritando. Um policial estava perto e foi conversar com ela. Havia outras pessoas com ele. Uma mulher, que depois se revelou Assistente Social, trouxe uma bolsa e algumas jóias.
- A senhora reconhece algo? – Perguntou.
- Sim, são da Claudinha. Onde ela está? – Perguntou Dona Ana.
- Sinto lhe dizer, houve um acidente...
- Um acidente? O que você quer dizer com isso? – Interrompeu Dona Ana. – Cadê a Claudinha? Ela está bem? Dona Ana desmaiou.
Acordou pouco depois, deitada em uma maca, com a Assistente Social do lado.
- Dona Ana, - ela falou – ouve um acidente. Um carro cheio de jovens avançou um sinal vermelho, vinha passando uma carreta que não conseguiu desviar e acertou o carro em cheio. Ninguém sobreviveu.
- Mas e a Claudinha? – Perguntou Dona Ana desconsolada.
- Achamos seu telefone na bolsa que o policial te mostrou. O carro foi quase todo destruído.
- Como assim quase todo?
- A única parte que ficou intacta, foi o porta-malas. E o mais incrível, foi que quando abrimos ele, tinha uma caixa de ovos lá dentro, solta. E nenhum dos ovos se quebrou.


em 09/04/2014 às 17:21
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