Viagens
Viagem de Kombi 2014


- Vamos pra praia no fim do ano?
- Estamos sem dinheiro para viajar.
- E se dormíssemos na perua?
Foi assim que surgiu a ideia de viajar de Kombi. Temos uma Perua Kombi 1996, usada para carregar decorações de festas infantis. Lançada a semente, o plano de viajar em uma Kombi para poder ter autossuficiência apenas cresceu com o passar dos dias. Logo vieram as dúvidas e ideias para viabilizar a viagem. Como dormir? Como fazer para tomar banho? Comida? Luz? Onde dormir?
A primeira providência foi realizar a manutenção mecânica. Carburadores, freios, motor, direção. A epopeia dos mecânicos. Foram meses até acertar tudo.
Depois, resolvemos refazer a tapeçaria da cabine, estava tudo rasgado, fios expostos, capa da porta quebrada, borrachas secas.
Desmontei as placas das portas e tirei o molde na madeira, cortei com a tico tico, comprei um tecido usado para forrar mesas de lanchonete (não lembro o nome), colei na madeira e depois cortei onde tinha os buracos. Comprei os parafusos para o acabamento. Aproveitei e fiz também um tampão para a frente, onde deveria segurar os autofalantes. Com uma placa de EVA refiz o tapete.
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Agora viria a parte complicada. Transformar a Kombi em uma casa, sem fazer modificações permanentes, pois ela seria usada para trabalhar quando acabasse a viagem.

Dormir?
O primeiro desafio: Como dormir dentro da Kombi. Não cabe um colchão, tem aquele cofre do motor que não deixa. Um sofá cama seria ótimo, mas esbarramos na questão financeira. Não temos dinheiro pra fazer isso. Temos que gastar o mínimo possível para sobrar dinheiro para a viagem. Então talvez pudéssemos nivelar a altura do cofre do motor, a largura dava certo no colchão de casal que temos em casa, só iria faltar o comprimento. Talvez uma mesa ou mesmo uma estrutura metálica. Mas daí ficaria ruim para pegar as coisas embaixo da cama. Então decidimos fazer um baú, que poderíamos guardar as coisas dentro, abrindo para cima, apenas com o colhão em cima não deveria ficar muito pesado.
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Privacidade x Ventilação.
Para preservar a privacidade, colocamos um tecido que vedava totalmente a cabine do salão. Em consequência, não tinha ventilação, uma vez que as janelas estão tampadas e adesivadas. Voltamos a atenção para a porta traseira. Mas se abríssemos a porta totalmente, as pessoas poderiam ver o interior da Kombi, ou poderiam pegar algo. A segurança seria perdida. Então colocamos um pedaço de arame para limitar a abertura da porta, assim ela só abriu um palmo. Ainda assim, tinha como colocar a mão por ali, insetos poderiam entrar, etc. Comprei uma tela aramada do tamanho da porta, fiz as bordas com um resto de perfil de alumínio que tinha sobrando, forrei com um pedaço de tela de mosquitos. Para ajudar na ventilação, coloquei 3x coolers de computadores puxando o ar quente pra fora, ligados na bateria estacionária. O calor ainda era intenso se não abríssemos as portas, então colocamos um ventilador para refrescar a noite toda. Deu muito certo.
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Alimentação?
Comer fora de vez em quando tudo bem, mas se fizéssemos isso todo dia, ficaria muito caro, então usamos um fogão de duas bocas que tínhamos, antigo, e levamos um botijão de gás pela metade. Os alimentos secos levamos dentro do baú. Então houve a necessidade de refrigerar alguns alimentos. Também as bebidas.
Um frigobar antigo, 120L, mas funcionando perfeitamente. Depois de muita pesquisa, percebi que teríamos que comprar uma bateria estacionária e um inversor de 12v para 110v. Acabamos comprando uma bateria de 110ah, e um inversor de 2.000W. Na verdade comprei um inversor de 800w, não funcionou, depois um de 1.200w, funcionou uma vez, depois não conseguia mais ligar o frigobar, então o de 2.000w foi a solução.
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Iluminação?
Com o quarto móvel que se tornou a Kombi, precisávamos de luz interna. Uma fita de led na lateral serve para iluminar enquanto trabalho a noite, mas para passarmos um tempo antes de dormir, precisamos de algo mais forte, então instalamos mais duas placas de 9watts, ligadas separadamente, com o interruptor na cabeceira. E quando acampamos, foram 4 placas de led embaixo da tenda, permitindo usufruir das noites sem problemas.
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A Viagem.
No primeiro dia saímos de São José do Rio Preto / SP e fomos até Brotas. Surpreendente como chegamos descansados e sem dores no corpo. Todo mundo falava que a kombi era ruim, pulava muito, tínhamos que parar para aguentar. Mas não foi isso que aconteceu. Foram quatro horas dentro dela e achamos muito confortável. Dormimos e saímos no outro dia pela manhã.
Rumando para Ubatuba, as marchas encavalaram. Não saía da quarta marcha. Pegamos uma “carona” com um guincho até um mecânico em um posto em Atibaia / SP. Sorte que o mecânico era especializado em câmbios. Mas era depois das seis horas, então o mecânico disse que precisava abrir o câmbio para arrumar e tínhamos duas opções: pagar o preço de urgência, ele ficaria o tempo que fosse preciso e arrumaria a Kombi, noite adentro, ou esperar até o dia seguinte no horário comercial, onde ele cobraria o valor normal. Resultado, nossa primeira noite na Kombi foi em um posto de beira de estrada, na frente da oficina, esperando o dia raiar.
Comemos no próprio posto, mas não tinha chuveiro, então esperamos o posto fechar, armamos nosso banheiro portátil e tomamos nosso primeiro banho fora de casa. Tudo funcionou perfeitamente, a ducha, os ventiladores, etc.
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No outro dia cedo, o mecânico desmontou o motor, tirou o câmbio e executou o serviço. Demorou quase o dia todo, mas entregou ela funcionando as seis da tarde. Resolvemos continuar viagem, ainda tínhamos duas horas de sol e estávamos longe da praia.
Estávamos perto de Taubaté quando escureceu, resolvemos procurar um posto para dormir, mas logo chegou a saída para Ubatuba. A Kombi começou a fazer um barulho mais alto, eram os cabeçotes que desapertaram. Procuramos um posto para dormir, mas estavam todos fechados, então fomos andando. Nisso um Zé Ruela andando com farol alto na contramão nos obrigou a dar um sinal de luz. O relê da luz deu problema e ficou travado na luz alta.
A Kombi barulhenta, com luz alta direta e nenhum posto no caminho. Com os cabeçotes soltos, a potência também diminuiu. Demoramos mais de três horas pra descer a serra. Tínhamos que parar para os freios e o motor esfriarem de vez em quando, e quando descíamos, era sempre a 15km/h engatado em primeira. Chegamos em Ubatuba depois de meia noite. Demos sorte de achar um lanche aberto e comemos na praça. Difícil era achar um lugar para dormir, rodamos a cidade e nenhum lugar parecia seguro, era deserto ou proibido de parar. Conseguimos achar um posto na praia grande, fora da cidade, paramos em frente, não dentro, e dormimos.
No outro dia, bem cedo, encontramos um mecânico, que desmontou novamente o motor dela e reapertou os cabeçotes. Mas quando acabou já eram cinco horas. Passamos esse dia na cidade, passeando no centro de Ubatuba, achamos um posto 24h na BR101 quase dentro da cidade. Dormimos ali mesmo.
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Acordamos cedo e subimos tentando decidir qual praia iríamos visitar. Paramos na cachoeira de Prumirim. Lugar bonito, mas a água estava muito gelada.
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Passamos em frente a entrada de Ubatumirim e resolvemos conhecer. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, a praia dava acesso ao veículo e condições de circular com a Kombi pela areia.
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Montamos acampamento e fomos cozinhar pela primeira vez. O fogão estava entupido, não conseguimos fazer o gás sair de jeito nenhum. Comemos umas frutas e bolachas, pois jogamos o fogão fora. Estávamos prontos para dormir, quando apareceram os borrachudos. Esquecemos o repelente, não tinha jeito, desmontamos tudo e voltamos pra cidade. Dormimos novamente no posto.
Compramos um repelente e um fogão novo no outro dia e fomos até Trindade / RJ. A Kombi protestou como nunca, mas conseguiu chegar até a cidade.
Todo lugar onde era permitido estacionar estava ocupado. Os estacionamentos estavam pedindo um pulmão ou um braço para ficarmos algumas horas. Depois de uma volta pela cidade, resolvemos continuar para Paraty. A Kombi teve que parar para esfriar, perdeu a potência em uma subida e não foi para a frente. Depois de quarenta minutos ela voltou a subir. Alívio. Paramos para cozinhar o almoço. O fogão veio montado, mas estava com vazamento. Na primeira forçada, quebrou o encaixe. O jeito foi seguir até Paraty e achar uma loja que vendia fogareiros. Nada feito, o vendedor disse que precisaríamos achar um serralheiro para soldar um bico novo. Como compramos o fogão em Ubatuba, não compensava voltar para trocar, então depois de muito procurar, achamos um serralheiro que tinha um maçarico e conseguiria arrumar o fogão. Foram horas até ele conseguir realizar o trabalho, saímos de Paraty às seis da tarde.
Horário de verão. Escurece depois das oito da noite. Vamos continuar. Seguimos até Angra dos Reis, sem achar nenhum posto que valesse a pena parar para dormir. Chegamos à tão famosa Angra. A entrada é uma ladeira, a cidade é um morro. Deve ser apenas a entrada, vamos seguir pela avenida principal. Um pouco depois, chegamos à ponta da praia, com um passeio largo e na frente um estacionamento municipal. Além das ruas, o estacionamento também estava lotado, mas vimos poucas pessoas na rua. Algumas quadras à frente, barracas. Era quase meia noite, mas fomos dar uma olhada. Estava tendo uma festa em homenagem à padroeira da cidade. Centenas de barracas de comida, roupas, brinquedos, etc. Passeamos, comemos, compramos umas roupas baratinho. Foi ótimo.
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Dormimos no estacionamento municipal, ficou deserto depois da meia noite, mas tinha uma delegacia do lado, a polícia passava toda hora, é bem seguro. No outro dia cedo fomos procurar uma praia. A cidade era aquilo mesmo, um morro cheio de casas e a avenida principal na beira do mar, mas sem acesso direto às praias. Continuamos até o fim da cidade. Depois foram mais vinte quilômetros de condomínios e hotéis, não tem onde parar, e havia apenas uma rua estreita que dava acesso à uma única praia. Então em Angra dos Reis só pode ir à praia se estiver hospedado em um hotel ou se for de barco. Vinte quilômetros depois da cidade achamos uma praia, chamada Praia do Retiro. Foi a única praia que conseguimos entrar. Passamos o dia ali. Entrei com a Kombi e adivinha. Atolou. Três cariocas viram e começaram a caçoar. Ao invés de ajudar, passaram zoando, dizendo que foi vacilo e tal. Mas depois que nós sofremos bastante tentando tirar ela da areia, eles resolveram ajudar. Em três empurrando, foi fácil sair. No final da tarde levantamos acampamento e seguimos em frente.



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Era sexta feira, o plano seria achar um posto ou mesmo um motel para pernoitar antes de chegarmos no Rio de Janeiro. Não vimos um único motel na beira da estrada, os postos eram todos pequenos, até que chegamos em um posto grande, cheio, limpo em Mangaratiba, pouco antes do Rio. Estava escrito “Conveniência” em vários lugares, então deduzimos que seria 24h. Ledo engano. Às 11h o posto fechou. Nos vimos sozinhos em um local ermo, sem segurança, na beira da estrada. Pensando onde achar um lugar para passar a noite, uma viatura da PM veio calibrar os pneus perto de onde estávamos. Aproveitei e perguntei se tinha algum lugar 24h ali por perto. Não tinha. Mas o PM indicou o agrupamento militar e disse pra gente dormir ali na frente. O lugar era um tanto movimentado, deu um pouco de medo, mas dormimos ali sem problemas.
No outro dia cedo, fomos para o Rio. Pegamos a saída para a Barra da Tijuca. Andávamos e nunca chegávamos. Era bem longe. De repente estávamos em uma orla. Cercas pequenas rodeadas por mato limitavam a entrada da praia. A orla era grande, mas não achamos nenhuma identificação de onde pudéssemos estar. No final da praia tinha uma placa com o nome. Ipanema. Que decepção. Essa era a famosa Ipanema? Praia feia. A próxima seria Copacabana, essa deve ser linda... ... ... Calçada grande, faixa de areia gigante, praia com ondas minúsculas... Não é possível. Nem um coqueiro? Lá mais pro meio achamos uns coqueiros, estavam começando a montar as arquibancadas para a virada do ano, ficou melhor um pouco. Vamos parar e descer um pouco. Demorou meia hora mas achei um lugar na orla. Estacionei e vi o guardinha correndo em nossa direção. Estava tão desesperado assim pra vender o bilhete da área azul?
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- Não pode parar aí não. – Tem uma lei nova que não pode parar Kombi, van, caminhão, ônibus, etc na orla de Copacabana. Voltamos pra dentro da Kombi e procuramos um lugar nas ruas do bairro. Em duas horas, não achamos um único lugar na rua. Os estacionamentos cobravam quarenta reais a hora. Resolvemos ir pra frente, na volta iríamos ver os pontos turísticos. Cansados, não conseguimos parar em lugar nenhum desde que entramos no Rio. Em direção à Niterói, vimos um estacionamento em uma avenida. Paramos para descansar um pouco. Ao olharmos para o lado, vimos o pão de açúcar. Era a Lagoa Rodrigo de Freitas. Várias fotos lindas saíram dali.
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Descansados, continuamos a viagem. Eu sempre quis atravessar a ponte Rio-Niterói. Foi muito legal. Ela balança de verdade, mesmo cheia de carros em cima. Achamos um posto em Silva Jardim, onde tomamos um banho e tentamos dormir. Pra nossa sorte era o dia da confraternização dos funcionários do posto.
Até esse dia, sempre fez aquele sol de arrancar o couro. Amanheceu chovendo. Fomos até Rio das Ostras, onde morava um amigo, mas ele não estava lá. Chegamos ao fim da nossa viagem de ida. Tomamos um café da manhã na beira da praia e descemos. Antes do almoço já estávamos em Búzios. A pior parte foi achar um posto de combustível que o combustível não custasse o dobro. Só tinha postos da Petrobrás com o litro do etanol chegando a três reais, quando na média do estado era dois reais e vinte centavos.
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Búzios no domingo. Filas de automóveis pra chegar em qualquer praia. Conseguimos visitar três, mas sem conseguir estacionar a Kombi, resolvemos dar uma volta no centro, tiramos umas fotos, e continuamos viagem. Descemos até Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Maricá e Niterói. Dormimos no último posto antes da ponte Rio-Niterói. Pagamos dez reais pra tomar um banho frio.
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Segunda cedo, dia perfeito para visitar o Cristo e Pão de Açúcar. GPS no levou até a rua lateral do bondinho que levaria ao Cristo. Era a única rua da região que não cobrava Zona Azul. Paramos a Kombi e descemos para a estação. O próximo bondinho iria demorar mais de duas horas pra sair. Fomos de Van, saiu na hora, foi mais rápida e foi mais barata ainda. O Cristo é menor do que parece, mas a vista é extraordinária. Ali sim percebi o motivo das pessoas dizerem que o Rio é a cidade maravilhosa. Ficamos a manhã toda por ali, várias fotos.
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Voltamos e colocamos o pão de açúcar no GPS. Achei facilmente um lugar no estacionamento na beira da praia, em frente à entrada do bondinho. Melhor ainda era o preço da zona azul, dois reais por quatro horas. O bondinho foi uma decepção, sessenta e quatro reais por pessoa, sessenta pessoas de uma vez dentro, todos em pé, difícil conseguir um bom lugar para fotos e filmagem. Mas mais uma vez, a vista compensou.
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No final da tarde, saímos do Rio. Passamos em frente ao Maracanã, tinha jogo do Fluminense contra outro time menor, não lembro o nome, só vimos por fora mesmo. A Avenida Brasil (yo-yo-yo) não acabava nunca, a Kombi estava lenta ou era o trânsito? De qualquer forma, seguimos até Angra dos Reis novamente, dormimos mais uma vez no estacionamento municipal e saímos cedo no outro dia. Fomos até Paraty, chegamos dez e meia, conseguimos pegar um passeio de escuna que saía as onze horas, foi um dos melhores passeios que fizemos. 
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Conhecemos três praias, paramos para observar peixes, etc. Voltamos no final da tarde. Passamos no mercado, compramos alimento e rumamos para a praia de Ubatumirim, 35km antes de Ubatuba. Acampamos perto da vila de pescadores, fizemos a comida ali mesmo e resolvemos descansar de viajar. Ficamos sete dias ali. Fizemos algumas amizades ali, desde viajantes que ganham dinheiro para se sustentar nos semáforos até vendedores locais.
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As férias estavam acabando, fomos obrigados a ir embora em uma segunda feira pela manhã. Descemos até Ubatuba, compramos algumas coisas no centro e continuamos a viagem. A intenção era ficar mais alguns dias em Ilhabela, passar o natal ali e depois voltar para casa, mas na fila da balsa, vimos uma placa que estava escrito que kombis, vans e caminhões deveriam pedir autorização para entrar na ilha com pelo menos 72 horas de antecedência. Desanimamos e fomos para o Guarujá. Passamos o resto do dia na praia, paramos no Carrefour para comprar algo pra comer, começou a chover forte. Entramos novamente na Kombi e fomos rumo à Imigrantes. O trânsito parou, ficamos quase três horas para andar dois quarteirões, aí descobrimos que tinha alagado a avenida, e os carros tentavam voltar por outra rua perpendicular (essa chuva foi a que derrubou a rodovia em São Sebastião no final de 2014, onde passamos no dia anterior). Mas antes eu tinha visto caminhões e ônibus enfrentarem a água, algumas motos também passavam, logo fomos por fora do fluxo e atravessamos as ruas alagadas. A água chegava até metade da roda, e mesmo com medo, seguimos em frente. Chegamos à rodovia sem maiores problemas. Nos últimos dias, a luz de óleo vinha acendendo constantemente, então paramos em um posto e verificamos o óleo. Estava cheio. Resolvemos continuar a viagem. Procurar um posto mais perto de São Paulo para pernoitar. Subimos pela Imigrantes, devagar e sempre, forçando um pouco a Kombi. Recomeçou a chover. Na metade do caminho, ela morreu, parei no acostamento, logo veio um carro da concessionária da pista e chamamos um guincho. A chuva aumentou bastante, virando um temporal. O guincho não chegava, depois de três horas, saí em baixo de chuva para procurar um telefone de emergência. Estava ensopado até os ossos quando achei um. Chamou por mais de cinco minutos até cair a ligação. Eu na chuva. Tentei chamar novamente e o telefone ficou mudo. Parou de funcionar. Voltei para a Kombi. No meio do caminho eu vi um guincho parando lá. O cara do guincho achou ruim que eu tinha saído da Kombi. Nem vou escrever aqui o que falei para ele. Ainda não deixou que nós fossemos no caminhão com ele, nos guinchou, dentro da Kombi, até a cidade de Riacho Grande, onde pernoitamos.
No outro dia cedo, um auto elétrico verificou que o terminal da bateria tinha isolado, fez a limpeza, deu carga na bateria e voltou tudo a funcionar. Ele disse também que a cebolinha do óleo estava ruim, por isso acendia a luz no painel. Continuamos viagem. Passamos o dia em São Paulo, compramos algumas coisas e como era dia de rodízio e nossa placa era final naquele dia, saímos cedo pela Rodovia Castelo Branco, em direção à Sorocaba. Queríamos chegar em Brotas e passar o natal lá, era dia 23 de Dezembro já. Debaixo de chuva, a Kombi fraca, a luz do óleo acesa, forçando um pouco o motor nas subidas. Acabamos de passar pela placa de Santana do Parnaíba, ouvimos um estouro e o motor parou. Paramos no acostamento, a Kombi não pegava, achamos que era a bateria novamente. Chamamos o guincho, dessa vez veio rápido, nos levou até um posto em Araçariguama. Chegando lá, o mecânico deu o veredito: fundiu o motor. Aquele choque. Vazou óleo por algum lugar e como estava com problema na cebolinha, forçou até estourar.
Tinha um rapaz arrumando um caminhãozinho lá, nos deu carona até Perus, onde pegamos o trem para a Barra Funda. Imagine a antevéspera de Natal, tentando pegar um ônibus para uma cidade do interior de São Paulo. Existem umas oito possibilidades entre chegar na nossa cidade ou cidades próximas, onde um parente poderia nos buscar. TODAS as passagens estavam vendidas, nenhum lugar em nenhum ônibus. Das nove da noite até as onze horas procurando mas não achamos nada. Estávamos conformando em passar a noite ali, quando decidimos tentar mais uma vez. Conseguimos de última hora dois lugares, de desistência, direto para nossa cidade. A saída atrasou mais de duas horas, mas conseguimos vir embora. Com o fim de ano, não conseguimos saber mais detalhes sobre o motor, o mecânico levou para uma retífica no começo do ano, e outra noticio ruim. Não seria possível retificar o motor, tínhamos que comprar outro motor novo e levar para ele trocar. Demoramos duas semanas para achar outro motor, ligamos pro mecânico e ele disse que sofreu um acidente, não ia conseguir trocar o motor naquela semana. Conseguimos marcar uma data para ele trocar o motor, a Kombi ficou no posto, em frente da oficina por 21 dias, roubaram o farol de milha, mas não mexeram no interior, onde estavam todas as coisas da viagem, inclusive as compras que fizemos em São Paulo. Por conta de uma adaptação aqui e outra lá, ficamos das sete da manhã até as cinco da tarde para trocar o motor. Ainda estava com problemas para pegar, então deixou ela acelerada e não desliguei até chegar em casa.
Mesmo com todos os problemas, ainda assim valeu a pena, uma experiência única, vários momentos preciosos passados ali dentro. Ainda vou fazer outras viagens com ela.
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em 15/09/2015 às 08:37
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